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Autor
Ano XVIII • 2001-08-31 • nº 4 • Julho/Agosto
Transmissão da Fé
 
palavra-chave
 
   

artigos
Fé, dom de Deus e liberdade humana • pág 293
Cabral, Roque
Lugares e meios da catequese • pág 296
Scheppens, Jacques
As linguagens na transmissão da fé • pág 308
Falcão, D. Manuel
Transmissão da fé em contexto litúrgico. A homilia • pág 314
Janela, António
Os cristãos ocultos do Japão • pág 326
Zambarbieri, Annibale
Arte e fé. Sete reflexões de homenagem a Romano Guardini • pág 340
Falcão, José António
Nova evangelização na galáxia digital • pág 348
Osório, Rui
Desenvolvimento pessoal e formação religiosa • pág 352
Matos, Vitalina Leal de
Como preparo a homilia • pág 364
Galvão, Henrique de Noronha
Experiência catecumenal de uma Igreja africana em Moçambique • pág 368
Langa, Adriano
Os monges na Argélia. Tibhirine hoje • pág 374
Puigdoménech, Ventura
Transmissão da fé numa família judaica • pág 383
Tuati, Samuel


apresentação

MARIA LUÍSA FALCÃO
ISIDRO PEREIRA LAMELAS

A fé, tal como a vida, é um dom que se recebe, se vive e se transmite. É lugar comum dizer-se que estamos numa época de crise. De fé? Ou da transmissão da fé? As comunidades primitivas foram as primeiras testemunhas do kérigma que exemplarmente nos  comunicaram. S. Lucas deixou-nos um retrato modelo da comunidade de Jerusalém: Eram assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e à oração. (Act 2,42)

O presente número da COMMUNIO foi pensado como testemunho desta herança que as comunidades de hoje continuam a viver e a transmitir. A Igreja é o espaço existencial em que procuramos continuar a assumir e a comunicar a fé com a mesma fidelidade de sempre. O artigo de Roque Cabral trata da fé como dom de Deus que pressupõe sempre a liberdade humana. Só deixando-se envolver pela gratuidade divina (graça) o homem se descobre como verdadeiramente livre para a comunhão com Deus.

A comunidade eclesial nasce e vive desta comunhão e transmite-se habitualmente pelos “lugares” ou meios da catequese. J. Schepens, questiona-se sobre o modo como a comunidade se pode tornar verdadeiro sujeito da transmissão da fé. A este propósito, além dos lugares clássicos da catequese (família, escola e comunidade local), refere também os novos lugares catequéticos.
 
D. Manuel Falcão foca a importância da linguagem do testemunho na iniciação dos adultos (catecumenado), das crianças inseridas em famílias cristãs, e na sociedade marcada pelo ateísmo da pós-modernidade. De facto, na sociedade da comunicação, é urgente reflectir sobre um dos meios privilegiados do anúncio do Palavra, a homilia. O artigo de António Janela sublinha a necessidade de actualizar o paradigma de pregação do próprio Jesus Cristo: o primado da Palavra actuante, a atenção aos sinais do Reino já presente, um permanente diálogo existencial com a assembleia, uma interpelação que requer uma resposta na fé.
 
Onde, por diversas razões, o anúncio foi silenciado, pode, mesmo assim, subsistir a fé. É o caso dos “cristãos ocultos do Japão”, artigo de A. Zambarbieri, em que se mostra como foi difícil guardar a pureza da fé onde deixou de haver transmissão autorizada. Não deixa, contudo, de ser significativo que se tenham mantido sinais de permanência de fé cuja autenticidade é, segundo o autor, merecedora de ulterior investigação.

Há outras formas de guardar e transmitir a fé. Os três artigos que se seguem são disso testemunho. José A. Falcão oferece-nos sete reflexões  sobre a arte. Como mostra a história do cristianismo, a arte, servindo-se da linguagem simbólica, recria o presente e, simultaneamente, remete para o transcendente. Perante a tentação de uma cultura da comunicação sem mensagem, Rui Osório sublinha como os cristãos são chamados a enriquecer estes meios com conteúdos autenticamente humanos. Vitalina Leal de Matos fala de um processo de crescimento pessoal de linguagens várias: o autoconhecimento, a experiência do sofrimento, o assumir da liberdade. Refere uma certa “pastoral do medo” insinuada na instrução religiosa, contrapondo-a à lição de Jesus que “expõe” mas não “impõe”, ensinando a aprender.

No espaço reservado aos testemunhos, H. Noronha Galvão faz uma análise muito clara do que é uma homilia: a sua estrutura, a sua ligação à vida e a sua inquestionável importância. Teologicamente, a homilia está ligada à transcendência da celebração eucarística; pastoralmente, é, para muitos, o único meio de iniciação à doutrina e à fé.

D. Adriano Langa partilha connosco a experiência de catecumenado vivido pela Igreja de Moçambique. Apesar das dificuldades referidas, a catequese catecumenal tem sido um dos meios privilegiados de formação na fé das comunidades locais.

Um monge cristão em terras islâmicas conta-nos como aí a percentagem de cristãos desafia toda a lógica ocidental da rentabilidade. “Viver com”, “estar ao lado de” é o segredo da vitalidade desta pequena comunidade fiel ao Deus do amor e aos seus irmãos.

Samuel Tuati reconhece o papel primordial da família judaica na vivência e transmissão da fé de geração em geração. O que em criança recebeu sente alegria em transmiti-lo hoje à sua própria família.   

 
  KEOPS multimedia - 2006