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Autor
Ano XVIII • 2001-06-30 • nº 3 • Maio/Junho
Corpo, Cosmos e Cultura
 
palavra-chave
 
   

artigos
Identidade, outro e corpo • pág 198
Fernandes, Sara
Perder e reencontrar o corpo • pág 212
Cabral, Isabel M. Dias Caldeira
Cuidado do cosmos como organismo vivo • pág 219
Paes, Sidónio de Freitas Branco
Recapitulação de todas as coisas em Cristo • pág 230
Oliveira, Anacleto de
O homem, o gosto de viver e o futuro • pág 245
Varanda, Maria Isabel
Excisões de sentido • pág 254
Marques, Manuel Silvério
Corpo natural, corpo artificial • pág 271
Antunes, João Lobo
A medicina da eternidade • pág 280
Correia, Clara Pinto


apresentação

LUÍSA RIBEIRO FERREIRA
JERÓNIMO TRIGO

É de todos conhecida a relevância que o corpo e o cosmos têm na actualidade. Cada um deles, ao pretender apresentar-se como um todo, gera relações conflituosas com outras dimensões naturais, culturais e humanas. As questões concernentes à bioética e à ecologia são disso exemplo eloquente e em constante desenvolvimento.

Este número da COMMUNIO apresenta uma série de reflexões em que se abordam a realidade do corpo e do cosmos na multifacetada perspectiva cultural que têm.

Abre com um poema de Walt Whitman que, no contexto da criação adâmica, nos lembra de um modo muito belo, a descoberta do outro como corpo. Depois, Sidónio Paes, em Cuidado do cosmos como organismo vivo, aborda o cuidado do planeta, perspectivando-o em duas vertentes: o cosmos natural e o cosmos humanizado. Cuidado ecológico, cuidado humanitário e cuidado natural constituem como que três vertentes essenciais  para a construção, neste mundo, de uma “Jerusalém celeste”.

Em Identidade, Outro e Corpo, Sara Fernandes levanta algumas questões sobre o corpo e a identidade pessoal. O clássico problema do dualismo corpo/alma é perspectivado pelo recurso a dois filósofos contemporâneos que sobre ele têm visões divergentes: Derek Parfit e Paul Ricoeur. Os puzzle cases do primeiro são analisados e confrontados com a tese ricoeureana da ipseidade. É também no registo filosófico que Isabel Matos Dias empreende uma fenomenologia do corpo, considerando-o enquanto enigmático, enquanto fenómeno e enquanto um sensível exemplar. Em Perder e reencontrar o corpo tenta justificar a desvalorização do corpo, dominante até ao século XX, pelo facto de escapar às categorias da racionalidade. Tal perspectiva é contrastada com um nova visão, reabilitadora, presente na abordagem fenomenológica, nomeadamente no pensamento de Merleau Ponty.

Anacleto Oliveira fala-nos da Recapitulação de todas as coisas em Cristo, tomando como ponto de partida a afirmação de Ef 1,10b. O texto paulino é tratado numa dupla perspectiva: hermenêutica e prospectiva. Assim, não só se destaca o alcance cósmico da ressurreição de Cristo e a vitória sobre a morte, como se propõe à Igreja a tarefa de irradiar para todo o universo o amor que Cristo lhe demonstrou. O pensamento de Teilhard de Chardin é apresentado por Isabel Varanda: O homem, o gosto de viver e o futuro surgem como três grandes questões cuja centralidade é patente na obra deste cientista-filósofo.

É em perspectiva médica que João Lobo Antunes, em Corpo natural, corpo artificial, nos relata uma experiência na qual desempenhou um papel activo. Com a história de Jerry T. partilhamos a alegria de alguém que recuperou a visão pela implantação de eléctrodos no cérebro. A partir desta aventura fascinante em termos científicos, levantam-se interrogações de teor sociológico e ético que nos fazem penetrar no que há de mais profundo na investigação científica. Em Excisões de sentido: da experiência clínica do corpo, Manuel Silvério Marques, na sequência do que René Girard fez para a religião, considera que a medicina surgiu da dualidade operatória da violência originária, da proibição e do pharmakon. Uma decisão de sentido etiológico e objectivo apagou essa marca, que no entanto reaparece em cada acto clínico.

Ainda na perspectiva da investigação científica se situa o artigo de Clara Pinto Correia. Em A medicina e a eternidade, admite a hipótese de nos clonarmos a nós próprios sem necessidade de produzir um feto para a obtenção de células. A autora alerta-nos para os problemas decorrentes da manipulação das nossas células estaminais, quer nos aspectos nega tivos quer nos benefícios que a medicina pode colher com o recurso à clonagem.

A terminar pareceu-nos pertinente a divulgação de um site na internet, onde todos os dias se pode encontrar uma oração. Verificamos que o avanço tecnológico de uma cultura cibernética pode trazer dividendos para o aprofundamento da espiritualidade.

 
  KEOPS multimedia - 2006