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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XVII • 2000-10-31 • nº 5 • Setembro/Outubro
A Justiça
 
palavra-chave
 
   

artigos
A justiça da Aliança • pág 389
Ouellet, Marc
A justiça de Deus revelada em Jesus Cristo. Um olhar sobre o “percurso de Jesus” • pág 402
Ambrosio, Juan Francisco
Equidade e compaixão. Reflexões em torno do conceito de justiça • pág 415
Ferreira, Maria Luísa Ribeiro
Actualidade da justiça: Rawls e Kant em convergência • pág 426
Ferreira, Manuel José Carmo
Justeza e justiça em medicina. Em conversa com Jorge Melo • pág 438
Almeida, José Manuel Pereira de
Crescer por dentro. Desenvolvimento do conceito de justiça durante a adolescência • pág 452
Carvalho, Cristina Sá
Construir a paz • pág 465
Policarpo, D. José da Cruz
Vontade de dialogar • pág 470
Riccardi, Andrea
Mensagem • pág 477
Paulo II, João


apresentação

JUAN FRANCISCO AMBROSIO – M. LUÍSA RIBEIRO FERREIRA


Um olhar atento sobre a realidade que nos rodeia, facilmente é capaz de revelar como as questões relativas à justiça ocupam um lugar importante nas nossas preocupações. De facto, ouvimos dizer com muita frequência que é urgente construirmos uma sociedade mais humana e mais fraterna, no fundo, uma sociedade mais justa, onde todos possam ter lugar e onde não haja cidadãos de primeira e de segunda. O peso da injustiça que se faz sentir sobre tantas pessoas e mesmo sobre povos inteiros é, pois, uma realidade que não pode ser ignorada.
Atenta a esta questão, a revista COMMUNIO apresenta, neste número, alguns pontos de reflexão sobre a temática da justiça.
Marc Ouellet, em A justiça da Aliança, propõe-nos uma concepção de justiça – que herdámos de Aristóteles e vemos retomada em S. Tomás de Aquino – segundo a qual a justiça é entendida como a virtude que dá a  outrem o que lhe é devido. O Antigo Testamento supera o racionalismo dominante nesta concepção, colocando a tónica da justiça na fidelidade, numa atenção permanente aos oprimidos. Ser justo é agir de acordo com Deus. É uma concepção que o Novo Testamento prolonga e leva à perfeição. Cristo é o justo que se submete à vontade de Deus e suporta os pecados do mundo. A paixão redentora de Cristo expia a injustiça, transforma a justiça humana em justiça de amor e fidelidade e exige uma conversão dos corações. Juan Ambrosio lança um olhar para o percurso de Jesus. Ele é o justo no qual se revela a justiça de Deus. Em Jesus Cristo vemos como a última palavra não é a da injustiça, mas, pelo contrário, é a palavra que dignifica e justifica. Por isso, o cristianismo deve ter na luta pela justiça, contra todas as situações que oprimem o ser humano, um dos seus traços característicos.
Manuel José do Carmo Ferreira debruça-se sobre a actualidade do conceito de justiça na ética contemporânea. Em A actualidade da justiça: Rawls e Kant em convergência analisa dois paradigmas em confronto na modernidade – a valorização da liberdade individual e a insistência nos valores sociais –, protagonizados respectivamente por Locke vs Rousseau e Adam Smith vs Karl Marx. A eles contrapõe a temática da justiça, recolocada hoje em primeiro plano. A posição de Rawls foi também considerada no artigo de M. Luísa Ribeiro Ferreira, Equidade e Compaixão. O conceito rawlsiano da justiça, como equidade, e a perspectiva de Kohlberg, valorizando a objectividade e a universalidade, são considerados como posições determinantes na ética contemporânea. Com eles se confronta a posição de Carol Gilligan, uma investigadora feminista, essencialmente preocupada com a relação interpessoal e com a atenção concreta ao outro, propondo o modelo ético do cuidado. A dimensão ética do cuidado é considerada pela autora como um dos pontos fortes do cristianismo, contribuindo para um alargamento do conceito de justiça.
Em Justeza e justiça em medicina, assistimos a um diálogo entre dois médicos, José Manuel Pereira de Almeida e Jorge Melo. A justeza surge como presente nos diferentes passos do acto médico; considerada imprescindível para conduzir a um diagnóstico certo, ela é encarada como um percurso que se constrói na redução das incertezas. O problema da justiça coloca-se essencialmente na distribuição de recursos escassos, acentuando-se a necessidade de critérios definidos para a admissão a tratamento e a exclusão de doentes.
Cristina de Sá Carvalho apresenta-nos um estudo sobre o desenvolvimento do conceito de justiça durante a adolescência, tentando perceber quais as ideias gerais que os adolescentes têm perante a justiça e a injustiça, e o que pensam sobre a forma como é vivida a justiça no contexto familiar e escolar.
A terminar, e porque as questões da justiça estão intimamente ligadas à promoção do diálogo e da paz, apresentamos alguns textos referentes à iniciativa Oceanos de Paz. Religiões e Culturas em Diálogo, que teve lugar em Lisboa, de 24  a 26 de Setembro passado.

 
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