Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XVII • 2000-08-31 • nº 4 • Julho/Agosto
Globalização e Catolicidade
 
palavra-chave
 
   

artigos
Ética empresarial e globalização

A Igreja, perita em mundialização • pág 293
Lustiger, Jean-Marie
Da soberania à disseminação. Tópicos para uma cartografia institucional da globalização • pág 299
Pureza, José Manuel
Globalização e testemunho profético da Igreja • pág 311
Stilwell, Peter
Aldeia global e Igreja universal. O fenómeno da interligação em rede numa perspectiva teológica • pág 317
Stubenrauch, Bertram
Multiculturalidade e evangelização • pág 333
Carvalho, Miguel Ponces de
Globalização e ecologia • pág 341
Mendes, José Amado
E Deus criou a Internet • pág 368
Rego, António
A economia de comunhão. Uma experiência • pág 379
Bruni, Luigino
Uma comunidade missionária internacional • pág 382
McLaughin, Brian


apresentação

MARIA C. BRANCO – MARIA LUÍSA FALCÃO

Religião da Incarnação e do universal, o cristianismo, por sua natureza, é solicitado pelo conceito de globalização, pois se a fé anuncia a salvação gratuita de Deus também actua como fermento das culturas e das realidades humanas. Globalização é palavra que suscita sentimentos diversos e contraditórios, com ela manifestamos o desejo e a inquietação dos homens. Desejo de tirar proveito das vantagens do progresso, inquietação pelo que esse mesmo progresso possa significar contra o homem. Com o presente número da COMMUNIO pretende-se, justamente, reflectir sobre a forma como se deve consentir na evolução sem perder a liberdade, garantindo os valores que permitam ao homem habitar a terra que lhe foi confiada.
O Cardeal Lustiger analisa o paradoxo da mundialização – desejo de ultrapassar as barreiras que dividem nações e povos, e receio da perda de identidade. Olhemos o exemplo de uma comunidade mundializada há séculos: a Igreja cristã onde países e comunidades, respeitando as diferenças de regimes políticos, línguas e culturas, vivem e coabitam. Não sem conflitos, mas sempre, e em última análise, em unidade.
Olhando o novo mapa do mundo desenhado pelas práticas e interacções transnacionais das últimas três décadas, José M. Pureza sublinha duas dinâmicas principais: a emergência de novas institucionalidades e a destruição/reconstrução do conceito de Estado-nação. De uma organização baseada na relação de territórios definidos e suas instituições está a passar-se para uma tecitura social progressivamente mais desterritorializada. A relação espaço-tempo foi profundamente alterada pela globalização: o mundo tornou-se maior devido à dimensão planetária dos horizontes, e menor dada a instanteinidade da informação. Ao Estado-nação, reduzido a mero servidor das megas-empresas, abre-se contudo uma nova perspectiva: deixa de ser um fim em si mesmo e torna-se instrumento de serviço à comunidade humana.
Peter Stilwell fala do poder profético da Igreja católica e das religiões em geral ao garantirem a diversidade, contra os riscos e a desumanização de uma globalização que, na sua prática, mais tem tendido à homogeneização do que à união dos povos nas suas diferenças.
Segundo B. Stubenrauch, na Igreja, a correlação entre globalidade e regionalidade assenta numa característica eclesial própria: o universalismo cristão é determinado em primeiro lugar pelo conteúdo e só depois pela forma; o anúncio é feito não só para além das regiões mas através delas, pois cada palavra precisa de enraizamento local para ter sentido.
M. Ponces de Carvalho fala da intensificação do fenómeno multicultural no mundo de hoje. Olhemos o exemplo de Cristo que se assume judeu sem nunca se enquistar na sua cultura, relacionando-se abertamente, com estrangeiros e marginais na sociedade multicultural em que vive.
J. Cerqueira Gonçalves afirma que a ecologia reclama alterações profundas na conduta humana, que têm de passar pela revisão da ciência e da educação, tendo a globalização o mérito de chamar a atenção para a degradação do ambiente visto em macrodimensão e não apenas nos micro-sistemas regionais.
A segunda metade do sec. XX está marcada por grande progresso científico e técnico, sem a equivalente orientação para valores. Este quadro acentuou-se nas últimas três décadas em que a globalização se tornou inevitável. Segundo Amado Mendes, a dimensão global de problemas como corrupção, exclusão social, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal leva as empresas a adoptarem um “código ético” que, reforçando a sua identidade, contraria o que há de negativo na globalização.
Sem polícia política ou moral a Internet está entre nós. Tudo é possível e permitido. António Rego adverte que a forma de a Igreja aí anunciar a Boa Nova tem pouco a ver com as atitudes e linguagem do período da cristandade. Agora é uma voz entre outras. Mas a Igreja tem uma missão insubstituível na Internet – ser a imagem e a voz da diferença. Para tal tem de se decidir a dar os passos necessários para aprender a linguagem e conhecer os meios.
Por fim, dois depoimentos. O primeiro apresenta-nos um tipo particular de economia de partilha – a economia de comunhão –, levando a resultados surpreendentes; o segundo fala-nos da experiência de internacionalização de uma comunidade missionária, levada a cabo nas Filipinas pela Congregação do Espírito Santo.

 

 
  KEOPS multimedia - 2006